Vou estar postando hoje, um texto que minha irmã escreveu.Fiquei surpresa, quando ela me pediu para estar lendo.
RAINHA DA DOR!
Olhe!As paredes do castelo sangram,como a alma cansada da Rainha da Dor.
Veja!Os campos se desmancham com a brisa,que provem do sopro que a morte proporciona pela vila em torno ao castelo.
-Rainha da Dor,onde esteve?
-Estive contida em minha mente,lamentando mais uma perda,mais um de meus súditos amaldiçoados se foi,como os campos com a brisa da morte.
-Rainha que sofre..Não chore por tais súditos que te mal dizem,aproveitam-se de ti a nem se quer lhe agradecem..
-Mas criado,estes súditos são meus filhos e filhas que foram amaldiçoados por terem me seguido...Todos os dias números incontáveis de súditos morrem,e tudo por minha culpa...
-Rainha da Dor,se não queres mais sofrer concede teu reino à mim.Assim teus súditos nem Vossa Alteza sofrerão,tirarei tal peso de teus ombros sofridos...
-Não posso criado,estou condenada à conviver com esta culpa!Em meu castelo minha alma é refletida,meu povo está preso à mim.Mesmo que lhe concedesse o reino de sofrimento,de nada adiantaria.A dor está presa à minha alma...
-Mas rainha por que isto aconteceu?Por que tal desgraça caiu em Vossa alteza?
-Criado,minha vida é recoberta por coisas inexplicáveis,inexplicáveis e importunas...
-Foi uma bruxa que lhe fez isso minha Rainha?
-Não criado meu.Fiz coisas imperdoáveis,por este motivo um ser transcendente me condenou à sofrer por todas as almas desperdiçadas em minha existência...
-Sofredora condenada.O que fizeste?
-Criado,não quero atrasar tuas atividades rotineiras,volte aos teus afazeres.
-Sim.Vossa majestade.
A cada dia as paredes do castelo pareciam jorrar mais sangue,o vento entre as frestas das janelas pareciam múrmuros de almas perdidas e esquecidas.E,a cada dia o choro da Rainha da Dor era mais alto e estridente.
A Rainha vai à floresta todos os dias pela alvorada e só retorna ao meio dia.
Há rumores, de que na floresta há uma cabana onde a Rainha que sofre se põe à lamentar.Pede aos ventos que levem um recado ao paraíso.Pede que retirem sua dor e sua angústia para poder reinar em paz.Mas seu pedido nunca foi atendido.
No crepúsculo,quando a lua prateada se mostra encabulada,a Rainha cessa o choro e conta à lua suas dores como se ela fosse lhe responder.
-Lua,tu que ouve-me com atenção sem nunca me questionar,diga-me se já não sofri o bastante?
O silêncio tomava seu aposento.Quando seu criado adentra o lugar de seu descanso.
-Rainha,posso fazer-lhe companhia?
-Claro,por que não.Além da lua,você é o único que fala comigo.
-Majestade estarei sempre ao seu lado.
-Obrigada criado amado.
-Vossa alteza,eu lhe incomodaria se lhe perguntasse...
-Diga.
-...O que fizeste para que algo ou alguém lhe condenasse à tanta dor?
-Isso não me incomoda,apenas causa um..Desconforto.
-Claro.Entenderei se não quiseres me contar.
-Lhe contarei tudo,mas tenha paciência pois de nada me orgulho,meu passado me fez estar onde estou.
Quando completei meus dezenove anos tornei-me a mais jovem general de um exercito real.
Minha missão era simples,expandir as terras de nosso reino.Mas,para isso tive de fazer coisas imensurávelmente horríveis.
À cada vila que minhas tropas chegavam,Senhor,era destruição por toda parte.Antes fosse se nós apenas matássemos,mas,eu era jovem e tinha uma imensa fascinação pelo sangue escorrendo pela minha espada .Os gritos de dor e sofrimento daquelas pessoas eram música para meus ouvidos.Eu tinha prazer em torturá-las.Ver filhos chorando nos corpos de seus pais,esposas abraçando os cadáveres de seus maridos.
Certa vez,começamos a tomada de uma pequena vila ao norte deste castelo.A vida naquela Vila me parecia tão calma,simples todos pareciam felizes.Eu já não suportava a vida que levava.-Ela fez uma pausa,enquanto uma lágrima escorria em seu rosto.-Mas eu também não suportava ver que haviam pessoas mais felizes que eu,pessoas que não precisavam ver sangue para sorrir.Eu me enfurecia à cada sorriso visto de longe que eu presenciava.As tropas só esperavam meu sinal para acabar com a vida daquela vila,então naquele exato momento pensei em desistir da missão,mas eu vi uma mulher,com dois filhos lindos e um marido que parecia à amar.Não,aquilo eu não aguentei.Empunhei minha espada sedenta de sangue em sua direção.Os primeiros camponeses a serem mortos naquela noite.
Ao fim daquela tomada,eu percebi que já não queria apenas expandir nosso reino,também não era mais pelo prazer de ver o sangue escorrendo em minhas mãos,eu tinha inveja daquelas pessoas.Eu as matava por vontade de ser como elas, ter família, ser feliz .Porem não poderia demonstrar fraqueza...
Quando eu completei meu vigésimo quinto aniversário,nosso rei faleceu e em seu testamento dizia que todo o reino que havíamos conquistado,todas as terras manchadas pelo sangue de inocentes,eram minhas.Eu não às queria,não desejava ser rainha,pelo contrário, gostaria de ser como os outros camponeses.
Mas meu exército era fiel demais para não querer que me tornasse rainha.
Todos, inclusive o resto do povo estavam presentes na cerimônia de coroação.
Minutos depois da coroação fui tomada por uma dor descomunal,eu não sabia de onde ela provinha...Uma voz,profunda,tomou minha cabeça.Tal voz me deixou abalada demais para retornar ao salão principal.
O dono da voz disse-me que,por ter feito com que tantas almas sofressem,por matar desenfreadamente e sentir prazer com isso estava condenada à reinar num trono de dor e todos que houvesses me apoiado teriam a mesma pena.
Só me lembro de ter pensado:”Então é este meu destino?Reinar em terras sujas de sangue,sofrendo por todas as almas que fiz chorar?Agora me tornarei a Rainha da Dor..”.
Apartir daquela noite minha vida tornou-se um mar de dor e angústia.
À cada súdito que nasce um morre ,à cada morte recebo uma cicatriz na alma.
A dor...A dor é pior q a dor de trancar a mão em um moinho ou ter um braço cortado.
E a cada dia a dor aumenta e aumenta sem freios...
Foi isso que aconteceu comigo criado.Criado?
Apesar de que a Rainha tenha contado aquilo com tanto pesar o criado não agüentou.
-Me desculpe!
-Por quê?
Quando a Rainha se virou em direção à voz do criado ele à acerto com uma espada a poucos centímetros do coração..
-O-obrigada,por me livr-rar de tal dor.Apesar de que minha alma vá continuar sofrendo..
Ela deu seu último suspiro.
-Sempre estarei ao seu lado,minha Rainha da Dor.
By: Amabile Cristine Branco Oliveira.
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